quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A importância dos longões nos treinos


Tem aqueles que amam os fins de semana por conta dos longões, mas tem, também, os que não podem nem pensar em fazer esses treinos maiores. Fato é que as corridas longas e contínuas são de extrema importância para quem se dedica à provas maiores, como a meia-maratona e a maratona.

Mais: no caso específico dos 42 km, além das adaptações fisiológicas, que são importantes, as adaptações psicológicas surgem como um fator determinante para um resultado positivo na prova, pois você consegue conhecer e testar seus limites nos treinos e, consequentemente, ganha confiança e uma experiência que permitirá ter segurança e bagagem para concluir a prova com qualidade.

Como incluí-los na rotina de treinos?

O longão basicamente deve ter volume. Por isso, ele precisa ser um percurso maior que 12 km. Mas isso não significa que ele não deve ter paradas. Você pode fazer pequenas pausas para hidratação, alimentação e ajustes no treino, o que fará com que você corra melhor.

Eles devem ser incluídos de forma progressiva nos seus treinos. Para isso, avalie o seu volume semanal de corrida e a quantidade de provas e de experiência que você já tem na distância. Assim, é possível escolher e determinar a sua programação.

E mantenha-se motivado. Por mais que esse tipo de treino seja mais monótono, não perca a força de vontade, uma vez que o longão fará uma brutal diferença no seu desempenho em provas longas. Para manter o ritmo você pode, inclusive, usar estratégias como correr em boa companhia, ouvir músicas (por isso separe uma boa playlist), fazer paradas estratégicas para hidratação e alimentação e correr em locais variados.

(Fonte: Antonio Caputo da Costa, coordenador da Academia Proforma e da Speed Assessoria Esportiva – Rio de Janeiro)
O2 por minuto

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Correndo atrás do sonho: iniciantes contam suas expectativas para a São Silvestre

Muitos dizem que só é corredor de verdade quem corre a São Silvestre. Verdade ou mentira, não dá pra negar que a prova é uma espécie de "batismo", além de ser um ritual de passagem para o ano novo que de quebra vem acompanhado de superação. O Webrun conversou com alguns estreantes para saber quais são suas expectativas na hora da largada.

Cura de todos os males
Taisa e marido. Foto: arquivo pessoal
Após a morte da mãe, Taisa Dias Neves estava muito deprimida. Desde então, há um ano e meio, incorporou a corrida na sua rotina e, de acordo com ela, isso a curou de todos os males.

O esporte rendeu bons frutos: meias e até mesmo uma maratona fazem parte do seu currículo. Como já está acostumada com distâncias maiores, adaptou seu treino para a SS correndo em uma esteira com inclinação similar a da Brigadeiro.

No dia 31, ela não estará sozinha: seu marido, que nunca fez uma prova acima de 10km, a acompanhará nos 15.

Sim, é possível!
Luis F.Chianca.Foto: arq pessoal
Quanto tempo de corrida eu preciso para competir a São Silvestre? Para Luiz Fernando Chianca seis meses do esporte parecem ser suficientes. O paulista de 34 anos sempre acompanhou a SS pela TV e achava o máximo a alegria das pessoas ao concluir a competição, mas por não praticar, pensava que era um sonho impossível.

Então de quilômetro a quilômetro foi chegando perto do ideal e não parou mais. Tanto que os planos são ambiciosos: pretende terminar a prova em até 01h15. "Mas claro, o importante é me divertir e sentir a emoção de concluir".

No meio do caminho, tinha uma pedra
Problema nos rins somado a obesidade fizeram Romulo Zarelli Costacurta abandonar a vida sedentária. Na verdade, seu problema não era apenas uma pedra no rim, mas cinco. Informado pelos médicos sobre a necessidade de mudar seus hábitos , o analista de marketing começou 2013 com o pé direito.

Comidas processadas foram substituídas por refeições saudáveis e o sedentarismo deu lugar à atividade física. Em setembro do mesmo ano, correu 5 quilômetros na Maratona Pão de Açúcar em 40 minutos. O feito o surpreendeu e hoje Romulo soma provas com exigência física superior, como a do Circuito Caixa, além de ter feito um teste de 15km na Corrida Sargento Gonzaguinha. Trinta e três quilos foram deixados para trás, mas a paixão pelo esporte persistiu.

Para o dia 31, não basta apenas concluir o trajeto: "Meu objetivo é finalizar a prova fisicamente bem", relata.

Atração internacional
Erica Gouveia.Foto: arq.pessoal
Érica Cristina Gouveia passará seu aniversário de um ano de corrida na São Silvestre. Motivos não faltarão para comemorar: "Eu como paulistana apaixonada, vou amar enxergar a cidade com outros olhos, fazendo o que mais gosto e ainda com um grupo de amigos corredores, com quem dividi alegrias e tristezas durante 2014", relata.

Seu lema será "sem relógio, sem pressão", além de correr com diversão. Prova disso é o look escolhido para a data: ela se vestirá de Lara Croft. Ótima ideia de fantasia que não atrapalha os movimentos. Aprovado.


Já é campeão!
Fábio Coelho. Foto: arq pessoal
Fábio Coelho dos Santos é mais um caso de superação. Acostumado a acompanhar a São Silvestre do sofá, nesta edição ele estará do outro lado.

Há um ano e meio seu excesso de peso era preocupante. "Tenho 1,68m e cheguei aos 94,7kg. Então decidi me matricular na academia. As primeiras semanas não foram nada fáceis. O meu corpo pedia pra desistir, mas a minha mente gritava 'Continue, você vai conseguir'. Os meus primeiros passos foram na esteira, por quinze minutos no máximo", conta.

Mas a persistência não demorou a dar resultado: em quatro meses fez sua primeira corrida de rua. "Hoje, com 62kg, já rodei praticamente 2000km. Agora quero aproveitar ao máximo cada minuto da prova, vivenciar intensamente esse evento esportivo que fez parte das minhas tardes do dia 31 de cada ano". E nós também!

Fonte: Webrun

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Meias de compressão na corrida

Aposto que você já viu muita gente correndo com meias que sobem até abaixo do joelho, cobrindo toda a perna, semelhante a jogadores de futebol. E deve ter se perguntado se a pessoa tinha algum problema de circulação, algum tipo de dor, ou mesmo algum mau gosto estético. Se é bonito, ou não, não vem ao caso, pois o que importa é explicar o que são, para que servem e como funcionam estas meias compressivas, que vêm ganhando cada vez mais adeptos na corrida.

Diferentes das meias utilizadas como uniforme pelos jogadores de futebol e outros esportes coletivos, as meias compressivas servem, como o próprio nome diz, para gerarem uma compressão nas pernas de forma específica. Esta compressão costuma ser maior que a das meias comuns e tem como objetivo melhorar a força e a resistência muscular das pernas, reduzindo o risco de lesões e melhorando a performance.

As fibras elásticas dessas meias estão dispostas longitudinal e transversalmente, de forma que a compressão seja homogênea e funcionam como um tipo de contenção, evitando que o músculo oscile, ou vibre demais. Realmente, isso soa estranho, mas durante uma corrida, os músculos literalmente chacoalham com o movimento das pernas, vibrando conforme entramos em contato com o chão e subitamente eles voltam para uma posição inicial quando se contraem. Isso tudo, exige um controle considerável da musculatura, além de flexibilidade, força e capacidade de adaptação. Basta pensar por que cansamos mais ao correr na areia, na grama, em trilhas, etc. Um terreno mais firme e plano necessita de menos adaptações do corpo quando comparado a um terreno irregular. Ou seja, um músculo que oscila menos, vibra menos e precisa se adaptar menos, é um músculo que com certeza vai cansar menos e por isso render muito mais.

Para explicar outro papel destas meias, vou dar um exemplo simples. Imagine uns dez canudinhos, destes coloridos de lanchonetes, todos em pé, um junto ao outro, dispostos dentro de uma área circular. Se eu equilibrar um prato sobre esta estrutura, dependendo do peso desse prato, os canudinhos irão se dobrar para os lados. Primeiramente, os que estavam dos lados e depois os que estavam no centro, fazendo o prato cair. Porém, se eu simplesmente envolvê-los com alguns elásticos sem muita tensão, certamente, eles aguentarão mais peso, antes que se dobrem e derrubem o prato. Por conta deste mecanismo de suporte, é que as meias compressivas, também, auxiliam na prevenção e em algumas fases de tratamento de lesões musculares nas pernas.

Bom, até aqui parece que todos então, devemos comprar vários pares dessas meias e usá-las diariamente, correto? Não. É hora de analisar o outro lado da história. Afinal, sempre, existem aquelas pessoas que não se dão bem com o uso de acessórios.

Se pensarmos pelo lado mais simples, sabemos que quanto mais alta for a meia, mais ela vai te esquentar. E isso já é um desconforto para alguns. Outro ponto são os preços. Essas meias costumam ser um pouco caras, quando comparadas às outras. Mas o ponto principal, sem dúvida, é a falta de consenso a respeito de sua eficácia.

Da mesma forma que o efeito dos alongamentos na prevenção de lesões, o uso destas meias também existem prós e contras. O principal motivo contrário ao uso seria o mecanismo de adaptação dos músculos com o uso delas. Alguns profissionais acreditam que uma pessoa que usa as meias com certa frequência nos treinos e em provas, fará o músculo se acostumar com elas e, consequentemente, perder a capacidade de se adaptar às vibrações, oscilações, mudanças de terreno, etc, tornando-o mais suscetível às lesões, quando for correr ou realizar qualquer outra atividade física sem elas. Isso, realmente, faz sentido.

Mas, calma. Minha intenção não era de te deixar confuso. Se você já as usa, tente variar um pouco, realizando treinos com e sem elas. Dê preferência para usá-las em dias mais frios, ou quando você sente que seu corpo está um pouco mais cansado, ou indisposto. Agora, se você não usa, às vezes é válido experimentar para saber os benefícios que ela traz e quando você poderia usá-las. A minha opinião é a de que ela é mais uma ferramenta que você pode ter em seu repertório. Saber como seu corpo se comporta com e sem elas te dá um arsenal maior de recursos disponíveis a serem usados em diferentes provas e sequência de treinos. É o mesmo que treinar a corrida com pequenos frascos de água na cintura, ou com sachês de carboidrato no bolso. Uma vez que você conhece seus benefícios, vai saber em que partes e tipos de provas e treinos você poderá utilizá-los.

Fonte: O2 por minuto / Marcel Sera